3 coisas que aprendi sobre contratar as pessoas certas e formar equipes

12.10.2016 Desenvolva

A primeira vez que eu convidei alguém pra “trabalhar” comigo eu tinha uns 15 anos. Era meu primeiro blog e muito antes de se falar em collabs ou guest posts eu chamei uns amigos para escrever sobre cinema. O saudoso Cineblog.cjb.net foi minha primeira experiência de produção de conteúdo e também de convivência com alguns colegas com propósitos em comum. Eu não era chefe de ninguém (nem era a pretensão), mas eu estava ali cobrando posts, revisando o trabalho, incentivando e achando tudo aquilo muito massa.

Corta para quase 10 anos depois e eu já tinha chamado outros amigos para fazer trabalhos de verdade comigo, mas estava entrando, pela primeira vez, no mundo corporativo e com uma função gerencial. Tive que contratar e demitir gente, ficar irritado com péssimos resultados e surpreso com soluções criativas, com posturas louváveis. Tinha virado chefe, mas ainda não sabia nada sobre o que significava contratar as pessoas certas ou formar equipes.

Não sei se você já teve a experiência de coordenar um time e sentir o peso da responsabilidade de selecionar alguém que terá a carteira assinada para a empresa, mas isso é desafiador. Não dá pra sair por aí como se você estivesse convidando amigos para escrever num blog ou fazer uns jobs freelando contigo. Se não der certo, na perspectiva da empresa o jogo envolve não apenas um peso financeiro, mas também de retrabalho, gerando um custo extra que envolve tempo. E tempo…

Assim, nas minhas tentativas de cumprir a tarefa direitinho, percebi alguns pontos importantes. Todos eles estão levemente alinhados com os rumos de pequenos negócios (que é o meu caso atualmente):

1. Diminua as expectativas sobre contratar “a pessoa certa”…

Ninguém nunca me perguntou na entrevista de emprego, mas meu principal defeito é idealização exagerada, gerando expectativas enormes sobre pessoas e oportunidades. E fazer isso montando a sua equipe pode ser bastante complicado. Os cenários são variados, mas nem sempre você tem a verba para contratar o melhor profissional, o mais preparado, com melhor currículo, com mais experiência. Afinal, ele provavelmente vai custar bem caro. Talvez ele nem exista. Então, é essencial colocar no papel o que você deseja, mas não se perca gerando um perfil perfeito e inalcançável.

2. Mas não desista fácil de achar pessoas incríveis…

Quando você estabelece os valores que quer trabalhar na sua equipe ou sua empresa, não vale a pena desistir deles só porque é difícil encontrar pessoas alinhadas com esse posicionamento. Vale a pena gastar tempo extra cavando mais currículos e buscando indicações para encontrar os profissionais certos para o que você está construindo. A persistência certamente vai te salvar algumas horas extras naquela capacitação que você diz internamente “isso era tudo que eu gostaria de NÃO estar ensinando”.

3. E se não achar, esteja pronto para capacitar

Um dos valores essenciais do Dois Cafés é a cultura do compartilhamento, valorizando o aprendizado de dentro pra fora (treinando equipes para produzir mais e melhor e promovendo nossos próprios cursos) e de fora para dentro (participando de eventos e cursos com profissionais que admiramos). Um ambiente de aprendizagem constante é aquele em que “ensinar” algo não é meramente uma questão de “treinar um colaborador”, mas de desenvolver juntos os valores que mencionei no ponto dois. No nosso caso, isso acontece quando a gente percebe que, mostrando como funciona uma ferramenta, eu também posso transmitir um jeito de olhar o mundo que faz diferença na produção daquele conteúdo.

Dependendo do seu cenário, desenvolver esses pontos pode ser trabalhoso e cansativo. Mas a verdade é que também será, inevitavelmente, bastante recompensador. Afinal, o salto que sua equipe vai dar, também é salto do seu projeto.

Foto de capa: Breather

 

Ricardo Oliveira